Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2005

Fantasporto

Começa hoje o tão aguardado FANTASPORTO – Festival Internacional de Cinema do Porto – que comemora o seu 25.º Aniversário. Com uma vasta escolha de filmes de excelente qualidade que se recomendam a qualquer apreciador de bom cinema. Mas não é só o cinema fantástico que preenche o seu cartaz, é de destacar a Semana dos Realizadores, que recomendo vivamente! Entre as variadíssimas ofertas realçam-se as muito esperadas antestreias de “Constantine” e “Sideways”. Espreitem só o programa do festival! E Bom Cinema!
por A. R. às 13:47
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Descodificar Edzná

Recebi o amável convite para participar neste interessante blog, ao qual logo disse que sim. Quero sem duvida agradecer a oportunidade que Morgan me deu para aqui poder partilhar algumas das minhas ideias! Espero que sejam muitas e sempre que possível pertinentes! A título de curiosidade, Edzná é uma cidade da América Pré-Colombiana, localiza-se perto de Campeche. Edzná é um vocábulo de origem Maia.
por A. R. às 09:36
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Só uma questão...

Tenho receio que os meus "posts" sejam demasiado longos. São?
por A. R. às 08:56
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Ao ler Carlos A. Ferreira de Almeida...

É verdade, foi ao ler um escrito de Carlos A. Ferreira de Almeida, acerca da castelologia medieval, que se me fez luz acerca de um assunto pelo qual pensava já ter uma convicção bem definida e inabalável. Essa questão prende-se com o carácter generalista, ou não, das licenciaturas em arqueologia. Na verdade era, até à altura em que li esse escrito, um acérrimo defensor da especialização das licenciaturas em arqueologia em áreas de conhecimento ou em períodos. A ideia que me sustentava tal convicção era a amplitude de conhecimentos que o estudo, por exemplo, da pré-história ou da arqueologia clássica exige. Então não seria mais correcto a partir do meio da licenciatura o aluno escolher um ramo de especialização? Agora cheguei à conclusão que não, porque desse modo o aluno nunca disporia de um conhecimento de base acerca das temáticas arqueológicas, nem, muito menos, teria um conhecimento imediato das metodologias de abordagem aos diferentes períodos ou “assuntos” arqueológicos. No final, o seu curso de licenciatura seria incompleto e redutor, visto que as escolhas para uma eventual especialização não poderiam ser clarividentes, por ausência dessa base acerca da diversidade arqueológica. Na verdade, o carácter generalista da licenciatura afigura-se-me como sendo uma opção sábiamente cautelosa, e os directores dos cursos que não caíram na tentação de as especializar sabiam o que estava em jogo (penso que não existe nenhum caso em Portugal). Uma eventual especialização deveria, sim, figurar num mestrado ou doutoramento, altura em que será de prever que o arqueólogo possua já uma ideia do conjunto arqueológico mais bem definida pela experiência teórica e de campo. No entanto, como todos sabemos, os departamentos de arqueologia das universidades, deparam-se com todo o género de dificuldades, sejam elas relativas ao pessoal docente, sejam relativas a questões financeiras, daí que a criação de mestrados orientados para determinadas especialidades (teoria arqueológica, informática, arqueologia de campo, arqueometria, arqueologia experimental, entre muitas possibilidades), são praticamente impossíveis de conseguir. Mesmo assim, assalta-me outra dúvida. Será mesmo necessário este tipo de compartimentação do saber arqueológico? Só me ocorre uma situação em que se poderia tirar vantagens de uma situação como esta, de especialização. Seria se houvesse o hábito e, fundamentalmente, a possibilidade de um projecto de investigação arqueológica poder contar com múltiplos investigadores que se dedicariam à condução de estudos dentro das suas áreas de especialização. Apenas nestas circunstâncias se justificaria a estruturação do ensino pós-graduado em áreas de especialização, pois na situação em que vivemos, onde os parcos recursos mal chegam para a realização do trabalho de campo, não se tiraria o proveito rentável de tal situação. Mais uma vez, a pretensão de especializar volta a cair por terra. Lembro-me agora, também, da questão em que alunos que, com todo o mérito e louvável esforço, acabam as suas licenciaturas e transitam, normalmente por convite das faculdades, para um doutoramento. Será pedagógica tal situação, por mais mérito que tenha o aluno? Não se deveria antes, e como prémio pelo seu esforço, proporcionar todas as condições para que tal aluno possa potenciar as suas capacidades antes de se aventurar num doutoramento? Em vez das faculdades o convidarem para um doutoramento, ou mestrado, por que não arranjar um estágio nas mais prestigiadas universidades da Europa, onde se ensine arqueologia. Não seria esse o caminho que um excelente aluno deveria percorrer antes de se aventurar num doutoramento? De todos aqueles que o fizeram, quantas expectativas se goraram, ou se perderam talentos? Não é que tenha o quer que seja contra tal situação, apenas me questiono acerca dela. São estas as dúvidas de alguém que ainda está a descobrir e a aprender a arqueologia, coisas que me ocorreram a ler um texto onde, apesar de ser uma consciência presente, mas não deste modo estruturada, se contactava que “talvez em mais de metade dos casos, os castelos medievais nos aparecem em montes onde preexistiram esses velhos povoados (...)” onde o autor se refere à “perduração dos antigos castros, entretanto romanizados, ao longo da nossa Idade Média.” (Almeida, C.A.F., 1989, p. 38), demonstrando desse modo um exemplo de como um sítio arqueológico pode ser feito de vários "sítios", não tendo o arqueólogo legitimidade para desprezar qualquer um deles. Já agora a referência bibliográfica completa:
- Almeida, Carlos Alberto Ferreira de, “Castelos e Cercas Medievais: séculos X a XIII”, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, dir. Rafael Calado, Lisboa, Alfa, 1989, pp. 38-54 (Portugal no Mundo, dir. Luís de Albuquerque).
por A. R. às 08:47
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Sábado, 19 de Fevereiro de 2005

Acerca de Livros

Este é um assunto que me tem levado a reflectir, desolado, naquilo que os arqueólogos nacionais têm editorialmente a oferecer, não só à comunidade científica, como à "famosa" sociedade civil. Pode dizer-se que, em Portugal, não existe um mercado muito grande, sendo que, desse modo, a procura não iría cobrir o investimento(!?!?). Talvez seja verdade, no entanto não serve de desculpa, pois a tecnologia, actualmente, oferece soluções bastante baratas se comparadas com a tradicional publicação em papel.
Mas julgo que o problema é ainda mais profundo que uma eventual falta de mercado ou a ausência de fundos para uma publicação. É facto que, talvez por ainda ser um estudante de arqueologia, ainda tenho muito para lêr e, ainda, nem sequer tenha posto os olhos no melhor que se produz em Portugal, seja por perguissa ou ignorância. Mas, felizmente, ainda vou verificando excepções a esta lacuna, através do enpenhamento de professores universitários, investigadores independentes e de organismos oficiais, assim como de empresas de arqueologia.
No entanto, olho para o lado, em Espanha, e verifico um investimento considerável na elaboração de obras monográfica acerca de assuntos caros à arqueologia. Como exemplo indico, aqueles a que já tive acesso, o "Nociones de Tecnologia y Tipologia en Prehistoria" e o "Manual de Arte Prehistorico" ambos da Editorial Ariel (devo também referir a Ed. Crítica). Os autores de ambas as obras reuniram toda a informação relevante acerca desses assuntos, de modo a proporcionar aos estudantes universitários uma ideia de conjunto actualizada e como um ponto de partida para o estudo mais aprofundado. Mas não se tratam de pequenos livros, posso dizer que, por exemplo, o "Manual de Arte Prehistorico" tem 527 páginas recheadas de texto e ilustrações de elevado interesse para uma primeira abordagem e essa matérias e, também, funcionando como um "arrumar da casa", algo que já vem fazendo falta em Portugal - o estabelecimento claro de pontos de vista no que respeita às concepções e noções teóricas e de investigação. Além de poderem ser comprados através do site da Editoral Ariel, também podem ser comprados on-line na Livraria Leitura, com portes grátis até 15 de Março.
Para quando um trabalho deste género em Portugal, pois para conseguirmos ter uma ideia de conjunto, sobre o quer que seja, temos que procurar em 1001 revistas e publicações dispersas.
Quanto à questão dos custos de publicação... não sei! Porque é que os departamento de arqueologia das universidades não apostam neste tipo de publicações, em vez de terem revistas de carácter geral (o ideal seria existirem as duas)? Não seria esta uma forma de afirmação e revelação de valor de uma Faculdade ou Universidade? Porque é que o IPA também não investe neste tipo de publicação? Será que não existe uma editora qualquer que se interesse por este tipo de matérias? As Associações de Arqueologia, porque não?
Enquanto a Arqueologia se fechar no casúlo, nunca iremos conseguir nada... esta é a verdade... mostrem-se com o vosso trabalho e, mais importante que isso, não tenham medo do povo que, de todos, é aquele que mais nos estima e ajuda.
por A. R. às 03:42
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