Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2005

Informatiquices

Tenho-me, nos últimos tempos e nas horas vagas, dedicado à aplicação de Sistemas de Gestão e Informação em Arqueologia. Não, não se trata de SIG, geo-referenciação, nem nada de semelhante. E porque não? Bem, uma das coisas que me dá prazer, pois felizmente existem outras que me dão mais, é aprender como as coisas funcionam, desde os pés às pontas dos cabelos. Se o meu interesse passa-se logo para SIG ou geo-referenciação estaria a começar ao menos pelo pescoço. A geo-referenciação, no meu entender, é já a parte final ou o resultado visível da implementação de um Sistema de Gestão e Informação em Arqueologia. Como atrás disse ando às voltas como um modesto e caseiro projecto para a “construção” de um desses sistemas ao qual dei o nome de Prospector, e vai já na numa segunda versão, pois a primeira começou mal de raiz. O resultado final será uma aplicação gratuita que, segundo espero, possa servir a comunidade arqueológica, senão mais, como uma base de trabalho onde consta um conjunto mínimo de campos que julgo imprescindíveis para um bom registo informático. Na altura em que ainda existia o Fórum do IPA, utilizado de forma vergonhosa como arma de ataque e enxovalhamento, coloquei lá um apelo que agora volto a fazer. Na altura pedia a colaboração neste modesto e caseiro projecto com o envio de fichas de registo arqueológico, com a finalidade de fazer um levantamento das necessidades e poder prevê-las no Prospector. O resultado deixou-me triste. Apenas uma pessoa me respondeu, a Jacinta Bugalhão ao enviar-me o texto publicado na Revista Portuguesa de Arqueologia, vol. 5, n.º 1, de seu nome “Endovélico - Sistema de Gestão e Informação Arqueológica”. Além da Jacinta, apenas alguns amigos me enviaram aquilo que tinham, sendo no caso o João Machado e a Elisabete Robalo. Isto fez-me pensar, e como pensei eu! Cheguei à conclusão que, “ou ninguém leu o pedido, ou todos leram mas apenas uma pessoa deu importância e valor, ou apenas uma pessoa deu importância e valor e os restantes ficaram desconfiados. Mas, desconfiados de quê? São apenas fichas!! Não estou a pedir o resultado das investigações, só fichas em branco, onde constam os campos que cada um necessita”. E o porquê desta necessidade? Bem, a questão é que o Prospector, ao contrário da maior parte das bases de dados caseiras, funciona no modo relacional, onde tudo é inventariável. Por exemplo, no registo de uma estação arqueológica, ao referenciar a cartografia, abre-se um módulo para o inventário da mesma e onde posso colocar toda a informação respeitante a determinada carta - seja ela topográfica, hidrográfica, etc. - desde a escala, ano de publicação, editor, estado de conservação e todas as demais informações que se considerarem úteis. Outro exemplo que posso dar é o da toponímia, onde além de poder indicar todos os topónimos respeitantes à estação arqueológica, posso caracterizar cada um deles, segundo a sua origem, descrever informação ligada ao topónimo (desde lendas, associação a outras estações arqueológicas, entre outros). Ou seja, o sistema que estou a conceber permitirá reunir quase todo o tipo de informação que se possa imaginar tendo sempre em conta que cada registo pode conter milhares de registos. Por exemplo, e recorrendo novamente à cartografia, uma carta pode ter mais que uma data de publicação e editores diferentes, dependendo dos anos e da reformulação do serviços de produção (exemplo: antes existia o Serviço Cartográfico do Exército - SCE, que agora se chama Instituto Geográfico do Exército – IGEOE), portanto, tenho que ter em conta que para cada registo de uma carta tenho que prever múltiplos registos. Do mesmo modo, tenho que contar que cada estação arqueológica terá forçosamente múltiplas cartas de diversas naturezas. Será que me fiz entender?? Depois surge outro problema. Para que o Sistema funcione, tenho forçosamente que o organizar por categorias de modo a permitir pesquisas e consultas de dados mais exactas. Aqui surge o problema da normalização. Qual a noção de pequeno, médio e grande? Qual é a noção de alto e baixo? Como posso determinar um sítio se ele não é determinável por falta de informação? Bom, o apelo fica aqui novamente. Alguém?
por A. R. às 03:51
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